Presença de Vibrio no cultivo

 

Vibrios

 

As bactérias pertencentes ao gênero Vibrio têm sido apontadas como um dos grandes

problemas no cultivo de camarão

 

Algumas espécies de víbrios são capazes de provocar doenças, representando perdas econômicas para a

indústria e perigo potencial para saúde pública quando veiculadas ao produto final destinado

ao mercado.

 

Predominância das espécies:

V. harveyi e V. cholerae nas pós-larvas;

V. cholerae, V. anguillarum, V. alginolyticus e V. harveyi nos juvenis;

e V. parahaemolyticus, V. harveyi e V. anguillarum nos camarões adultos.

 

A carcinicultura mundial vem experimentando perdas significantes na produção

provocadas por patógenos bacterianos do gênero Vibrio, especialmente na larvicultura e na

engorda de camarões na fase de juvenil (Aguirre-Guzmán et al., 2004).

 

Em todo o mundo, o desenvolvimento da indústria camaroneira está sendo submetido

a um permanente estado de alerta sanitário e tem encontrado um grande número de obstáculos

que entravam o processo produtivo especialmente os relacionados com as enfermidades de

natureza infecciosa e não infecciosa (Álvarez et al., 2003). Escobedo-Bonilla (1999) afirma

que o comportamento da indústria de camarão nos últimos anos foi influenciado por uma série

de fatores, com destaque aos impactos das enfermidades infecciosas provocadas

principalmente por patógenos virais e bacterianos gram-negativos (Vibrio spp).

 

De acordo com Aguirre-Guzmán et al. (2001), a rápida expansão do cultivo de

camarões peneídeos está sendo ameaçada por doenças provocadas por bactérias do gênero

Vibrio, que afetam a sua sobrevivência e crescimento. Estes microrganismos oportunistas

fazem parte da microbiota normal dos peneídeos, provocando doenças quando condições

ambientais desfavoráveis se estabelecem nos sistemas de cultivo.

Vibrio vulnificus, V. alginolyticus, V. campbellii, V. splendidus, V. damsela, V.

parahameolyticus e V. harveyi têm sido reportadas como as principais espécies do gênero

Vibrio que representam risco para o cultivo dos peneídeos (Lightner, 1996).

 

Todas as espécies pertencentes ao gênero Vibrio são típicas de ambientes marinhos e

estuarinos, com necessidade de NaCl (2 a 3%) para o crescimento. Como o ambiente marinho

é seu nicho natural, os víbrios são facilmente isolados de peixes e crustáceos. A maioria das

espécies é mesófila com tendência a proliferação em épocas mais quentes.

Segundo Lima (1997), os víbrios são capazes de se multiplicar sem hospedeiro em

águas marinhas e, têm nutrição saprófita, ocorrem tanto na coluna d’água como na fauna e

dependem diretamente da temperatura do meio. A presença de víbrios halófilos é elevada em

amostras de água e sedimento marinho (Wong et al., 1992).

 

De acordo com Ligther (1996), os diversos tipos de tratamento de água, a alta

densidade de camarões nos viveiros e o aumento da oferta de matéria orgânica (ração,

camarões mortos) podem alterar a microbiota do cultivo, facilitando a proliferação de

bactérias oportunistas. Diferentes espécies de patógenos oportunistas têm sido reportadas

como causa de grandes prejuízos na indústria camaroneira, provocando mortalidade, lesões

nos tecidos (necrose), alterações morfológicas e retardo no crescimento.

Lightner (1993) relata que um dos grandes problemas em cultivo de camarão é a ação

patogênica de espécies do gênero Vibrio.

 

Estas bactérias são comuns ao ambiente marinho,

podendo ainda ser encontradas no estômago, brânquias e cutícula de camarões selvagens e de

cultivo, sendo que as doenças resultantes estão associadas a fatores estressantes.

Problemas com vibriose ocorrem quando condições de estresse surgem no cultivo,

tais como: queda de oxigênio; densidade de estocagem excessiva; manuseio impróprio do

estoque; lesões na cutícula dos camarões; subalimentação; e altas concentrações de compostos

nitrogenados no ambiente de cultivo. O processo de infecção da vibriose pode ser cuticular,

entérico (intestinal) e sistêmico (envolvendo vários órgãos). Quando localizada, apresenta

lesões melanizadas na carapaça e/ou abscessos pontuais no hepatopâncreas.

 

A qualidade da água de cultivo do camarão deve ser considerada em todos os

aspectos para garantia sanitária do produto. Vários estudos reportam a associação de

proliferação de espécies de Vibrio em ambientes comprometidos

 

 

 

 

 

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